ECONOMIA E DIREITO DU PARÁ

email para publicação: paraense25@hotmail.com

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

PIB do puxadinho

PIB do puxadinho

(http://blogs.estadao.com.br/celso-ming) data 10/01/2012

Celso Ming

Afinal, quanto dá para a economia brasileira crescer? Mais do que um projeto firme, o governo Dilma fez uma aposta de que faria o PIB avançar uns 5,0%. A crise global, a puxada inflacionária e a esticada do déficit em Conta Corrente (fluxo de pagamentos com o exterior) estão obrigando os administradores da política econômica a segurar as rédeas com maior força. O Banco Central, por exemplo, avisou que já não conta com um avanço do PIB maior do que 3,5%.

Quando o brasileiro imagina que se livrou da sina do voo de galinha e que pode, afinal, aproveitar o crescimento sustentado acima de 5,0% ao ano, vêm as forças de sempre e empurram a elevação do PIB para perto do chão. É a volta do limitador que os economistas chamam de “crescimento potencial”, ou seja, o teto possível de sustentar sem riscos de inflação.
BACHA_H__LVIO_ROMERO_AE.JPG
Bacha. ‘Não cresce mais do que 4%’ (FOTO:HÉLVIO ROMERO/AE)

Há alguns meses, o economista Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, vem advertindo que, nas atuais condições, não dá para esperar demais: “Nossa economia não consegue crescer mais do que 4% ao ano”. Para Bacha, os grandes entraves ao potencial de crescimento da economia brasileira são o baixo nível de poupança (de aproximadamente 17% do PIB), o ritmo lento da incorporação da tecnologia e a precariedade do grau de educação da população.

O problema de fundo é a pouca competitividade dos produtos brasileiros em relação aos do exterior, em consequência do altíssimo custo Brasil. São a carga tributária excessiva; o desproporcionalmente alto custo do crédito; o encarecimento da mão de obra; o enorme preço da energia elétrica; a precariedade da infraestrutura em estradas, portos, comunicações, armazenagem; etc.

É necessário mais investimento e mais gerenciamento. Os enormes problemas denunciados pelos jornais mostram que os projetos do governo federal estão atrasados ou em franca deterioração (caso das obras de transposição do Rio São Francisco). E não há o que tire as reformas da gaveta (a política, a do sistema trabalhista, a do regime tributário e a da Previdência Social).

Na segunda-feira, Yoshiaki Nakano, economista da Fundação Getúlio Vargas, examinou o problema por outro ângulo. Ele entende que a atividade econômica nacional poderia crescer pelo menos 6% ao ano – desde que fosse melhorada a gestão da política econômica. Para isso, a disciplina das contas públicas teria de inverter o atual rombo de 2% do PIB para um superávit nominal (inclusive despesas com juros) de até 8% do PIB. Além de expandir a poupança, essa decisão permitiria a derrubada dos juros a padrões internacionais.

Como falta coragem para adotar esse caminho, o governo Dilma se entrega, então, ao manjado estratagema dos puxadinhos: dá um tapa no IPI da indústria automobilística; finge que protege a indústria têxtil; continua garantindo o cala-boca dos dirigentes com financiamentos subsidiados do BNDES; lá pelas tantas, muda uma regra que provoca a alta do dólar no câmbio interno… É a receita do crescimento econômico medíocre.

CONFIRA
Safra10Jan.jpg

O gráfico acima mostra como têm evoluído as safras de cereais, leguminosas e oleaginosas no Brasil nos últimos 22 anos. Em 2012, a previsão do IBGE é de uma produção de 160,3 milhões de toneladas (0,3% a mais do que foi produzido em 2011) e de uma área a ser cultivada de 50,0 milhões de hectares (um avanço de 2,7% sobre a área plantada no ano anterior). Mas há sinais amarelos: neste momento, a estiagem começa a castigar as plantações no Sul e do Centro-Oeste e as enchentes, as do Sudeste.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

COISAS DO TOCANTINS


Há dias não escrevo neste blog, muito em razão dos compromissos não só de trabalho, mas também de estudos que me tenho submetido nos últimos meses. Mas, não poderia deixar de tratar de um assunto tão interessante como o da subserviência dos Meios de Comunicação daqui de Palmas, em especial os blogs ou sites políticos destas terras siqueiristas.

Cada dia a gente vê pseudo-opiniões imparciais, de certos jornalistas, que usam o diploma para propalar a puxação de saco do governo local, em busca de algum patrocínio financeiro ou mesmo de alguma outra benesse para seu grupo particular, utilizando-se muitas vezes de certas nuances de intelectualismo, no intuito do convencimento da corja de sectários da situação, ou mesmo desmamados que repugnam abjetamente a figura do chefe tocantinense.

Ao se olhar para os dois lados, verificará que são farinha do mesmo saco, tanto os que odeiam quanto os que são odiados, por mamar nas tetas da vaca pública, diga-se, do erário público. E neste meio, como porta voz da imparcialidade, surgem jornalistas abnegados pela informação, isenta de qualquer resquício tendencioso, divulgando notícias e opiniões sobre quão maravilhoso são as ações de nosso deus siqueirista, na intenção de salvar este Estado das mãos de larápios e desalmados, que o saquearam por longos oito anos, e, que por isso mesmo, ficou esta terra tão esquecida e jogada na latrina do descaso e da corrupção. 

Tentam passar a imagem de santo do atual governador, como se este pegasse agora a máquina estatal afundada em desgoverno, em virtude somente dos oito anos do governo anterior, sem lembrar, comodamente, que o Estado anteriormente já fora governado pelo deus tocantinense, que por razões óbvias não deu causa ao desenvolvimento do Tocantins. Isso nao foi possível porque o governador estava ocupado em grilar terras públicas para si e para sua corja de amigos e subalternos, os quais adquiriram propriedades a título de doação, em nome do interesse público. Segundo a Revista Istoé, até a diretora de rede afiliada da Rede Globo no Tocantins participou do lote de grilagem.

O segmento de comunicação do Tocantins funciona como uma blindagem para o atual governador, ou seja, qualquer questionamento ou mesmo ameaçazinha de algum "caluniador" vem a “opinião pública” externar seu repudio ou mesmo defender publicamente os atos do governador e de seus auxiliares. E os que ousam pular fora da receita de elogios são defenestrados do orçamento da Secretaria de Comunicação do Governo como cachorro vira-lata é posto para fora de festa de aniversário. 

Logo, nota-se o quanto há de imparcialidade nos meios de comunicação do Tocantins, principalmente a de alguns diários políticos aqui de Palmas, que privilegiam a divulgação das boas novas do executivo estadual, como forma de externar sua admiração e subserviência ao dono do Tocantins. Eis a imprensa livre que todos nós queremos.



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O DILEMA DA GUERRA CAMBIAL



O câmbio tem mostrado uma leve apreciação nos últimos meses, o que, de certa forma, tem preocupado os formuladores da política monetária do governo. Em declaração na Turquia, neste mês de outubro, a Presidente Dilma Roussef conclamou os países emergentes a participarem de uma guerra contra a “guerra cambial”, visto que os países desenvolvidos não conseguiram fazer ajuste fiscal e na busca da ressurreição econômica utilizam seus BCs para expandir a base monetária, a fim de escapar da recessão econômica.

No discurso da presidente está implícito o desconforto com a válvula de escape utilizado pelas economias desenvolvidas, uma vez que a expansão da base monetária tem apreciado artificialmente as moedas dos países emergentes, afetando o seu fluxo de comércio externo por conta da menor competitividade em que são jogados os parceiros emergentes. Assim, precisam criar políticas econômicas internas a fim de minorar o impacto da guerra cambial, como incentivo às exportações, aumento de alguns impostos relacionados, incentivo ao consumo doméstico, entre outros mecanismos de política econômica.

O problema da valorização do real está na conjunção de vários fatores como taxa de juros muito baixa nos países desenvolvidos, excesso de liquidez do mercado mundial, alta nos preços das commodities exportadas pelo Brasil, grande potencial da economia brasileira e a taxa de juros elevada aqui nas terras tupiniquins. Tudo isso leva a uma apreciação da moeda local em face da moeda estrangeira, forçando o governo a adotar estratégias para salvar o produto nacional da falta de competitividade no mercado internacional.

No entanto, o problema da valorização cambial no Brasil está relacionado principalmente com a taxa de juros, uma vez que há uma diferença expressiva entre a taxa de juros doméstica e a taxa de juros mundial (quase zero), o que incentiva, significativamente, a entrada no Brasil de capitais especulativos que fazem com que o real se aprecie de maneira artificial. Segundo o ex - presidente do BC, Gustavo Franco, o culpa dos juros altos no Brasil é do ministro da fazenda que não reduz os gastos públicos. Todavia, reduzir gasto público na área de saúde, educação, transportes e segurança, como alguns querem, é pedir para aprofundar a crise no longo prazo. 

Outro ponto a se observar é em relação à inflação que, segundo a consultoria MB Associados, ficará, este ano, no teto da meta (6,5%), a qual tem impacto diretamente na taxa de juros, posto que o juros se mantém elevado para segurar o descontrole inflacionário, que ultimamente vem dando sinal de irresignação. Logo, o governo precisa cuidar da política cambial de olho não só nos “parceiros desenvolvidos”, mas também nas suas escolhas domésticas, as quais tem muito contribuído para essa guerra de nervos.




  

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O DISCURSO DO REI INDIGNADO


Na última campanha eleitoral para o governo do Estado doTocantins eis que surge a figura do rei indignado  em face da corja de ladrões e saqueadores dos cofres públicos tocantinenses.  Então, o velho guerreiro estava retornando para reprimir os corruptos e restabelecer a paz social, porquanto não era mais possível o povo suportar tamanho ônus.

Porém, ao assumir o governo, vossa majestade, ou vossa excelência, o sr. José Wilson Siqueira Campos promoveu uma verdadeira faxina na coisa pública, isto é, demitiu mais de doze mil comissionados (depois recontratou quase o mesmo tanto - de amigos, é claro!), buscou privatizar a saúde e, constitucionalmente, restabeleceu a selvageria das licitações "pro amicus", isto é, tocou obras e serviços mediante a modalidade concorrência "melhor amigo"  (sic), aliás, melhor técnica, além, obviamente, dos arroubos  costumazes nos eventos comemorativos do Estado, com a mais pura e sublime arrogância siqueiruda de ser.

Em declaração midiática, nosso emérito governador, à época da campanha, disse que "se não roubar dá para fazer o que o Tocantins precisa". Interessantíssima essa profecia! Pena que não faz parte desse  Tocantins a grande maioria dos que realmente precisam - o povo!!!   






segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A face inimiga da verdade


Em uma palestra recente no Ceulp Ulbra, o Desembargador Antônio Félix do Tribunal de Justiça do Tocantins declarou que não acredita na justiça: “Eu não acredito na Justiça. Alguém aqui acredita?”, disse aos acadêmicos do curso de direito. Tal declaração parece um tanto estranha vindo da pessoa do desembargador, o qual tem a missão de zelar e promover a justiça. Outra declaração que causou espécie foi a do técnico do palmeiras, Luiz Felipe Scolares, quando perguntado por que nao escalava os jogadores mais novos do clube. Respondeu que "não tem atleta bom". Foi um deus nos acuda, tais declarações de Felipão estouraram como uma bomba na categorias de base do clube, deixando torcedores e simpatizantes atônitos. 

Mas por que as pessoas ficam perplexas com declarações como estas? Será por que não suportam mais  viver sem hipocrisia? Ou será que o fardo da verdade ou do politicamente incorreto (como queiram) é pesado demais para eu me arriscar e suportar toda a ojeriza e desprezo da nossa elite intelectual, ou mesmo dos nossos imparciais formadores de opinião?!! Grande parte da sociedade, em meio a tanta corrupção, impunidade, violência, mediocridade, vulgaridade, mentiras, e outros faz-de-contas, já não consequem mais dizer algo sem um pingo de leviandade, ao passo que a verdade passa a gozar de um status antisocial, antiestético e até mesmo contrário a ética profissional, a moral e aos bons costumes. Já que na nossa sociedade pós-moderna é comum o culto à hipocrisia, à adoração das bobagens shows (dança dos famosos), à vulgaridade dos corpos nus, a burrice exarcebada da classes mediocres, e a busca incessante por audiência, visando a difusão daquilo que é politicamente correto e aceito como padrão de conduta social. 

Evidentemente, que o conceito de verdade é relativo, no entanto, há algumas verdades que já se tornaram absolutas por estas terras, como "o Brasil é o país da corrupção e da impunidade", poderiam alguns cientificistas  e filósofos-abstracionistas-utópicos contestar veementemente o conceito de verdade aqui empregado. Contudo, não estamos preocupados com a teoria filosófica da verdade, mas com a realidade na qual vivemos ou fingimos que estamos vivendo. Afinal, tudo o que se diz na busca da verdade tem que passar pelo crivo dos moderadores do que é ou nao politicamente correto,(sic) , do que é ou não verdade.

Portanto, não nos assombremos com a verdade; uma vez que faz bem à  própria consciência - de vez em quando - uma gotinha de sinceridade. Assim, evitaremos representar para nós mesmos aquilo que representamos para os outros, o que já seria o abismo da hipocrisia!!





sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A TERRA DOS JUROS ALTOS

Em estudo recente da corretora Cruzeiro do Sul mostra que o Brasil possui a maior taxa de juros reais do mundo, cerca de 6,35% a.a,  sendo que o segundo colocado tem taxa de juro de 2,8% - o caso da Hungria. Países como China, México e India possuem taxas de juros em torno de 1%. Afinal, o que isso nos revela? Revela que os formuladores da política monetária tem conseguido, efetivamente, combater a inflação principalmente ( ou tao somente) às custas do aumento da dívida pública.

O que nos deixa surpreso é o fato da sociedade seguir como se nada estivesse acontecendo. Como se o aumento da dívida pública fosse mais uma "burocracia do governo" sem nenhuma importancia, pois o que interessa é receber a fortuna do bolsa família, aumentar os ganhos do salário mínimo, conseguir um contrato comissionado para minha sobrinha, receber umas "oncinhas" pelo meu voto, fraudar uma licitaçaozinho para favorecer um  comerciante amigo meu, enfim, garantir a supremacia do interesse particular em detrimento do interesse público, digo, do interesse da sociedade.

Nessa brincadeira de não dar importância para a dívida pública; ou mesmo nem saber se ela existe, o povo passa um cheque em branco para o governo, o qual "tenta" se esforçar para não deitar e rolar; pois, a dívida líquida do setor público atingiu cerca de 1,5 trilhões de Reais (Conjuntura Economica/FGV), ao passo que a relação dívida/PIB gira em torna de 40%, e com o esforço fiscal no primeiro semestre de 2011, o governo federal já está otimista que irá atingir a meta de superávit prímário de 3% do PIB. Tudo isso mostra que o governo sinaliza para uma política econômica voltada para a contenção de gastos e utlização da Politica Monetária como instrumento para debelar a inflação, ainda que precise pagar os juros reais mais altos do planeta, aprofundando ainda mais a sua dívida pública, que a maioria dos cidadãos continuam achando que quem paga é o governo. 

A taxa de juro funciona como um remédio para dor de dente. Ela alivia a dor mas não resolve o problema, pois, às vezes, o dente pode está cariado, que senão tratado voltará a doer. No que tange à economia, a taxa de juro é o remédio necessário para combater a inflação, no entanto, a verdadeira causa da inflação reside  principalmente nos gargalos da infraestrutura  e na insuficiência de poupança doméstica para garantir o investimento pretendido pelos agentes econômicos. O que ocorre, disso tudo, é um aumento da demanda agregada e o nosso querido dragaozinho jorra suas labaredas contra os pobres e desdentados (sic: desrendados), pois os preços aumentam, dizimando o poder aquisitivo das classes menos favorecidas. Mas, poderíamos fazer uma  simples proposição: Os empresários não querem vender mais? Entao, é só renovar os estoques e absorver o acréscimo de demanda. Se assim fosse, nosso país seria o país das maravilhas, mas as coisas na economia de mercado nao funcionam assim, num passe de mágica, existe uma coisa chamada planejamento economico. Os agentes agem conforme suas expectativas de futuro. E o presente de hoje foi o futuro de ontem, e o futuro de hoje é presente de amanhã, portanto, os agentes econômicos são limitados por uma coisinha chamada PIB potencial, que consiste no máximo da capacidade instalada da economia para a produção de bens e serviços num determinado período, projetado anteriormente conforme dadas circunstâncias. Logo, mesmo que os capitalistas quisessem aumentar sua oferta de bens e serviços num curto período de tempo, encontrariam limitações de pessoal, infraestrutura e capacidade tecnológica.

Por isso, surge a entidade do mal: a inflação. Que deteriora o poder aquisitivo dos pobres e promove a instabilidade econômica. É ai, então, que surge a entidade do bem: o BC com sua arma mortal, a taxa Selic, capaz de tranformar o temível dragão num dócil e inofensivo gatinho de madamme. Entretanto, surge um ser tão terrível quanto a inflação, a entidade do mal que se disfarça de anjo de luz. Mas, na verdade, é a personificação do próprio "capeta", do "demunium", pois por onde ela passa não deixa sequer um único centavo nos cofres do governo: é a ardilosa e camaleônica Dívida Pública. A grande maioria da população não sabe que quando o governo aumenta a taxa de juro, está aumentando também ( e significativamente) a sua divída pública, o que implicará, mas à frente, em aumento de impostos ou redução de gastos públicos (quase sempre recaem sobre a saúde, segurança, e educação), impactando diretamente a população mais pobre e possibilitando a felicidade daqueles que tem dinheiro neste país, isto é, os nossos especuladores profissionais, que aparecem no "Jornal Nacional" dizendo que o governo está fazendo a coisa certa em manter a política monetária, tranquilizando aqueles que pouco de nada sabem, e, que num estado de êxtase, se deliciam do néctar da fonte da ignorância, facilmente manipulável pelos trocadilhos indecifráveis do economês.  





terça-feira, 30 de agosto de 2011

Crise financeira internacional: repercussões e reflexões « Rumos do Brasil

Crise financeira internacional: repercussões e reflexões « Rumos do Brasil

Crise Internacional: E Melhor Prevenir do Que Remediar

Crise Internacional: E Melhor Prevenir do Que Remediar
Diante da atual Crise Econômica Internacional, que muitos analistas destacam ter o epicentro no desequilíbrio fiscal e da divida pública dos governos, principalmente, dos países centrais. Diferente da crise de 2009, que foi diagnosticada como uma crise do sistema financeiro cujo sintoma mais proeminente foi o estouro da bolha imobiliária norte-americana.  Desde o início dos anos 1990, as crises econômicas são cada vez mais generalizadas e com efeitos em cascata pelo mundo. Em maior ou menor grau os países se tornaram mais expostos e vulneráveis diante de mudanças dos níveis de expectativas com repercussões imediatas sobre o fluxo de capitais entre os países. Os agentes sempre buscam localidades para seus investimentos que possa combinar o menor risco e o maior retorno, e com a internacionalização da economia, existem maiores facilidades para a circulação e crescimento destes capitais, com conseqüências sobre os equilíbrios financeiros internos de cada nação.
Aos países emergentes o que resta fazer?  Estar com a casa “arrumada” para enfrentar os permanentes solavancos de uma economia cada vez mais interdependente.  O fundamental é ter reservas suficientes de divisas internacionais (não somente e cada vez menos dólar) para se segurar diante de permanentes crises de liquidez que hoje existem no mundo.  E, não menos importante, é ter equilíbrio nas suas contas e ter uma dívida pública sobre controle.
O Brasil vem fazendo o dever de casa?  Sobre alguns aspectos sim, mas muitos problemas estruturais vêm sendo empurrados ao longo do tempo.  O país vem a alguns anos mantendo crescentes reservas internacionais, crescimento econômico razoável, inflação e dívida interna em relativo controle.  O país, também, vem mantendo níveis relativamente satisfatórios de crescimento e ainda com inclusão social, e também demonstra ser um local atrativo para o investimento estrangeiro, em especial o produtivo.  Porém, estas ondas rapidamente podem mudar de direção, daí a razão para uma vigília permanente sobre os indicadores de estabilidade e resiliência econômica do país.
Mas nem tudo são flores para a economia brasileira, a combinação de câmbio flutuante, elevadas taxas de juros, gastos públicos e não muito baixa carga tributária, leva a gargalos importantes para serem resolvidos no curto e médio prazo, sob o risco do país tornar-se bem mais vulnerável a volátil.  Pois, os mecanismos de contágio da atual crise internacional foram ampliados e podem sim pegar o país em uma situação de contrapé.
Assim, foi bastante prudente, enquanto uma primeira medida do Governo Brasileiro, elevar a meta de superávit fiscal em R$ 10 bilhões acima do previsto, para alcançar algo em torno de 4% do PIB.  Os objetivos fiscais devem ser ainda mais ampliados, pois o país tem a carga tributária mais alta entre os BRICS (Brasil, Rússia, Índia e China), e, em regra, tem poucas preocupações com a eficácia dos gastos públicos. Também, o Brasil enfrenta um desafio particular para a redução da taxa de juros.    O Brasil tem uma das mais altas taxas de juros do mundo, com uma média de 35% ao ano, comparado a taxas bem menores dos BRIC´S – Índia (4,3%); Rússia (12,5%) e China (6,0%).
O governo brasileiro necessita estimular mecanismos para reduzir a taxa real de juros na economia, porém sem possibilitar a expansão da espiral inflacionária. Assim, é melhor que a redução da taxa de juros passe pela redução do estoque da dívida pública com uma maior economia dos gastos do governo.  Assim, em um segundo momento é possível, reduzir os gastos com encargos da dívida, e criar uma espiral mais positiva para o crescimento econômico, com a ampliação dos investimentos públicos ou mesmo pela ampliação do crédito, principalmente o empresarial.  Este processo leva tempo para maturar e precisa ter uma firme determinação do Governo, para suportar as diversas pressões para ampliação dos gastos no curto prazo.  Mas no longo prazo, para a economia brasileira, não será possível equacionar a questão sem uma mudança mais ampla na questão tributária, nos níveis de intervenção desejados pelo Estado na Economia e na qualidade dos gastos públicos. 
A elevação do superávit primário foi uma medida de precaução importante, pois torna o país um pouco mais robusto para enfrentar a atual crise econômica internacional, mas reformas mais profundas deverão ser realizadas ao longo do tempo, porém têm um custo político mais elevado e faz muito anos que praticamente não saem do papel.  É bom lembrar, que os países que não fizeram o dever de casa e pouco se preocuparam com sua deterioração fiscal, mesmo outrora considerado como sólidos ou relativamente estáveis estão pagando um preço relativamente alto por serem mais vulneráreis aos efeitos da crise.  Por exemplo, na Grécia houve uma forte redução salarial nos setores púbico e privado acompanhado de aumento de impostos.  Já em Portugal houve um corte inicial de 5% da despesa com salários dos funcionários do Estado, e o aumento de impostos.  Tudo isto acompanhado posteriormente por uma forte recessão e grande ampliação do desemprego.  Por isto que aqui vale o velho ditado: “É melhor prevenir do que remediar”. 


Escrito por Waldecy Rodrigues (Pós-doutor em economia pela UNB e prof. UFT)                                      in economiaemfoco.zip.net